A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para frente.
Søren Kierkegaard
Você lembra da última vez que parou para se perguntar: “Será que estou mesmo evoluindo?”
Talvez não. E está tudo bem. A vida, no seu ritmo apressado, muitas vezes não nos dá tempo para reflexões assim. Mas hoje, eu lhe convido a fazer esse exercício. Não um exercício de cobrança, mas de reconhecimento.
Sim, eu sei que você se cobra. Provavelmente, com a mesma dureza com que julga outras pessoas, ou até mais. E talvez ache que não mudou tanto assim. Que ainda repete velhos padrões, que os mesmos erros insistem em bater à porta, que há metas antigas ainda não alcançadas. Mas… será mesmo que você está no mesmo lugar?
Volte um pouco. Lembre-se de como você estava há um ano.
Quantos livros você leu desde então? Quantas conversas lhe fizeram repensar a vida?
Quantas experiências, mesmo aquelas dolorosas, trouxeram aprendizados preciosos?
Você vem construindo a sua vida tijolo por tijolo. E por ser você quem está assentando cada pedaço, talvez não perceba o quanto a casa já tomou forma. O quanto há de beleza e força nas paredes que você ergueu com esforço diário, silencioso, persistente.
A grande questão é que nossa evolução, muitas vezes, é sutil.
Ela não grita, não posta fotos, não viraliza. Ela acontece nas entrelinhas:
• Quando você respira fundo e escolhe não responder com raiva.
• Quando percebe que aquela dor já não machuca como antes.
• Quando começa a se alimentar um pouco melhor.
• Quando tem coragem de dizer “não”.
Esses detalhes, quase invisíveis, são as provas mais fiéis do seu progresso.
Kierkegaard nos lembra que só conseguimos compreender a vida olhando para trás. E essa compreensão é essencial: ela nos oferece perspectiva, nos ajuda a ver que a caminhada fez sentido, que mesmo os tropeços nos ensinaram algo.
Mas ele também alerta: só conseguimos viver a vida olhando para frente.
E é aqui que entra um ponto delicado: olhar para frente sem a sensação de estagnação. Sem o peso de achar que nada muda, que a vida está em looping.
Porque, na verdade, não está. Você está em movimento.
Mas é preciso desenvolver essa sensibilidade: a de perceber o próprio progresso. De se alegrar com pequenas vitórias. De honrar o caminho já percorrido.
Isso não é autoajuda barata, é autocompaixão madura.
Essa percepção é o que nos motiva.
Porque, quando reconhecemos que estamos avançando, mesmo que lentamente, nos enchemos de energia para continuar. Como quem olha para o horizonte e enxerga, enfim, que vale a pena seguir.
Portanto, hoje eu não lhe convido a fazer planos mirabolantes nem a virar uma nova versão de si. Eu lhe convido a fazer um pequeno balanço. A lembrar que você não está parado. Que, mesmo nos dias mais difíceis, alguma coisa dentro de você seguiu pulsando. E que, se você persistir no detalhe, no cuidado, na presença, essa casa que você está construindo será, sim, um lugar bonito para morar.
Não porque será perfeita.
Mas porque será sua.
originalmente do JLPolitica.com.br
