“Quanto mais eu treino, mais sorte eu pareço ter”. Gary Player, golfista sul-africano
Outro dia, assisti a um desses vídeos curtos no Instagram, os famosos reels. Aparecia alguém comentando sobre o sucesso de outra pessoa, dizendo: – “Ah, fulano teve sorte na vida…”
Sorte? Que pensamento mágico! Como se as coisas simplesmente caíssem do céu. Como se crescer na vida pessoal, profissional e emocionalmente fosse um passe de mágica, uma loteria existencial.
Não foi sorte. Fulano evoluiu porque se moveu. Porque decidiu não esperar que a vida acontecesse, mas fazer com que ela acontecesse. Quantas vezes confundimos persistência com privilégio?
A pessoa estudou. Leu. Buscou conhecimento. Se espiritualizou. Reduziu o álcool. Passou a fazer exercícios físicos. Se afastou de ambientes tóxicos e de pessoas que apenas julgavam, sem somar. Deixou de andar com as galinhas e começou a voar com as águias. Se reconheceu em outra tribo. Fez melhores escolhas. Isso não é sorte. Isso é consciência. É atitude.
É comum, especialmente em tempos de redes sociais, confundir o palco do outro com os bastidores da nossa vida. Mas aquele sucesso que aparece no feed do Instagram de alguém, não mostra as manhãs de cansaço, o esforço de levantar quando o corpo só queria mais cinco minutos, o silêncio das dúvidas, os tombos e os recomeços.
O que a gente chama de “sorte” muitas vezes é o resultado de escolhas repetidas com coragem, mesmo quando o caminho parecia incerto. É a insistência em trilhar uma direção que ninguém garantia que daria certo. É não dar ouvidos a quem nunca tentou. É fazer. Errar. Ajustar. Errar de novo. Até fazer dar certo.
Gary Player, um dos maiores golfistas da história, dizia com ironia e sabedoria: “Quanto mais eu treino, mais sorte eu pareço ter”. Essa frase carrega uma verdade que incomoda muita gente. Porque ela tira a sorte do lugar de conforto e devolve à responsabilidade o protagonismo da nossa história.
Não estou dizendo que não existam privilégios. Claro que existem. Mas existe também o movimento interno, o esforço, a transformação que não depende de herança ou berço, mas depende apenas de boas escolhas.
E sabe de uma coisa? Você também pode escolher. Escolher levantar. Escolher ler. Escolher comer melhor. Escolher se cercar de pessoas que lhe desafiem a crescer. Escolher se ver como alguém em construção, não como alguém à mercê do destino.
Porque a verdade é que leões andam com leões. Águias reconhecem outras águias. E você não nasceu para rastejar, mesmo que tenha aprendido a fazer isso por sobrevivência.
Reveja a sua tribo. Observe as suas escolhas. E pare de chamar de “sorte” aquilo que é fruto de coragem, disciplina e fé. Sorte é quando a preparação encontra a oportunidade. Mas a preparação… essa é sempre sua responsabilidade.
originalmente do JLPolitica.com.br
